Estatal, que já fazia coedições, ganha liberdade para publicar livros sozinha
HAROLDO CERAVOLO SEREZA
Já a partir de novembro, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo passará a publicar livros como uma editora independente, de acordo com o presidente da estatal, Hubert Alquéres. A empresa, atualmente, já faz uma série de co-edições, a maioria delas com órgãos do Estado e com editoras universitárias, especialmente a Edusp.
Em alguns livros, além de uma editora universitária, também participava uma empresa privada, como em De Humanis Corporis Fabrica (Edusp e Ateliê) e Canudos, História em Versus (EdUfscar e Hedra). "Nós negociamos com as universitárias; a empresa privada, nesses casos, veio com elas", diz. "De toda forma, na minha gestão, não aprovei nenhum projeto que envolvesse uma empresa privada."
A possibilidade de atuar como editora é recente. Há uma semana, foi publicada a lei que transforma a Imprensa Oficial numa certificadora de documentos digitais - ou seja, ele confere validade a documentos transmitidos por meios eletrônicos. A mesma lei também abriu a possibilidade de ela atuar como uma editora independente, explica Alquéres. O planejamento inicial da Imesp é investir cerca de R$ 300 mil neste ano e cerca de R$ 1,5 milhão em 2004. Entre os projetos em andamento estão a publicação de uma coleção dedicada ao que Alquéres chama de "pensamento político paulista", uma outra dedicada ao cinema, teatro e televisão e ainda uma terceira sobre cientistas brasileiros. A editora também planeja publicar o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, com as gravuras produzidas, a partir da obra, por Renina Katz. A Imesp também estuda publicar obras com entidades não-governamentais. Alguns livros, esses independentes de uma coleção, já estão sendo produzidos: um sobre a catedral da Sé, depois da reforma, e outro sobre o Circo Nerino. "Queremos tornar viáveis projetos que não interessariam as editoras comerciais", afirma Alquéres, enquanto mostra uma Caixa Modernista quase pronta - com fac-símiles das primeiras edições de Paulicéia Desvairada, de Mário de Andrade, e de Pau Brasil, de Oswald de Andrade, além de reproduções de cartões e do programa da Semana de Arte Moderna de 1922. A Caixa Modernista seria uma das primeiras edições independentes, se a lei houvesse tramitado mais rapidamente, mas acabou sendo feita em co-edição com a Edusp. Sobre a possibilidade de as editoras privadas se queixarem da entrada da estatal no mercado, ele volta a usá-la como exemplo: "Nenhuma editora privada a publicaria." Segundo Alquéres, a Imesp deve montar um ou mais conselhos editoriais, para orientar na escolha dos títulos e das coleções e para que as escolhas respondam a critérios culturais e não políticos.
(matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 03/10/2003)