Uso da Internet acelerou acesso à Imprensa Oficial/SP
Hubert Alquéres
A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo completou 112 anos nesta segunda-feira, 28 de abril, completamente renovada pelos avanços que, nos últimos anos, elevaram a empresa à condição de referência internacional, tanto na área gráfica quanto nos setores de informação oficial e conteúdo editorial. Nosso compromisso agora é aprofundar a modernização, introduzindo novos processos de gestão, elevando os investimentos em tecnologia da informação e consolidando nossas parcerias com a sociedade civil.
Da acanhada folha dupla que caracterizou a primeira edição do Diário Oficial, em 1891, a publicação tornou-se um dos maiores jornais do mundo. Circula diariamente com aproximadamente 2 mil páginas e já se encontra inteiramente acessível via internet. Trata-se de progresso notável que tem colaborado para acelerar trâmites do Judiciário.
Ao longo de sua história, a I.O. passou por muitas transformações. Mas foi com o incentivo do governo do estado nos últimos anos que ela ganhou impulso no seu papel de prestadora de serviços. Os resultados alcançados revelaram uma empresa pública saudável, padrão de referência técnica, tecnológica e administrativa para diversas imprensas oficiais.
Hoje, trabalha perseguindo conceitos e metas de produtividade e qualidade utilizados em grandes grupos empresariais. E foi assim, estabelecendo novas metas, inclusive financeiras, que a empresa se sentiu segura e assumiu o epíteto “Serviço público de qualidade”, que acompanha seu logotipo.
De gráfica dedicada à impressão do Diário Oficial, voltada para suprir as necessidades do aparelho administrativo do estado, a Imprensa Oficial expandiu suas atividades, passando a atuar em parceria com as principais editoras universitárias do País, ocupando um espaço – o do livro universitário – que, devido às suas próprias especificidades, como tiragem e preço, pouco interessava às editoras privadas.
A Imprensa é co-editora da Edusp (Editora da USP) – com a qual já conquistou mais de uma dezena de prêmios Jabuti - , das editoras da Unesp, da Unicamp, da UnB, do Arquivo do Estado, além de muitas entidades culturais, como o Instituto Itaú e a Pinacoteca do Estado. Ganhou também prêmios internacionais de excelência gráfica e participa de feiras de livros no Brasil e no exterior. Em São Paulo, promove o Circuito Paulista do Livro, que já realizou feiras de livros em diversas cidades.
A Imprensa Oficial tornou-se também uma empresa-cidadã, com responsabilidade social. Seu projeto de aproveitamento de aparas de papel, restos de filmes e todo o material antes jogado no lixo já rendeu mais de R$ 4 milhões para as fundações Antonio Prudente, Dorina Nowill, Lar Escola São Francisco e Apae. O programa foi premiado com o Top Social, da Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil (ADVB), em 2001, conquistando novamente em 2002, graças a criação da Gráfica-Escola, que forma em artes gráficas e insere no mercado de trabalho adolescentes da Febem em regime de liberdade assistida.
Na era da informação eletrônica, a Imprensa deu saltos espetaculares, criando serviços destinados aos operadores do direito (juízes, promotores e advogados) e ao público em geral, como a certificação digital. O despacho de um juíz, que antes demorava, em média, cinco dias para ser publicado, agora é veiculado no dia seguinte. Pode-se também fazer pesquisa via internet, com informações on-line sobre o que está publicado no Diário Oficial, e receber o resultado em casa ou no escritório.
Assim é a Imprensa Oficial, que, dentro das diretrizes básicas do governador Geraldo Alckmin na busca de um governo empreendedor, educador, solidário e prestador de serviços de qualidade, vai investir cada vez mais numa gestão moderna, eficiente e identificada com valores de uma sociedade democrática e contemporânea.
Algumas, como é o caso da Imprensa Oficial, de São Paulo, dirigem-se velozmente para o futuro, responsabilizando-se pela presença do seu governo nos territórios virtuais da internet, ampliando geometricamente o alcance das informações que divulgam, sobre o que se faz e, também, o que pode ser feito no estado.
Dar publicidade e visibilidade às demonstrações financeiras e resultados das sociedades mercantis, outra tarefa incorporada a essas tantas ao longo da caminhada iniciada em 1808 com a Impressão Régia. Na sociedade moderna, em que o vai-e-vem dos humores do capital e dos seus possuidores assombra quotidianamente tanto os governantes quanto os cidadãos comuns, isso é tão importante quanto a responsabilidade legal de publicação dos documentos oficiais.
Contra ela, e pretendendo aboli-la, movem-se campanhas, e projetos tramitam no Congresso Nacional para o alerta de quem considera inegociáveis valores como transparência, lisura e ética. Não deve ser à toa que algumas empresas estão tão empenhadas em não publicar seus balanços ou em fazê-lo de forma simplificada. Ainda recentemente, nos Estados Unidos, a falsificação dessas informações por parte de grandes empresas foi responsável pela eclosão de crises e incertezas econômicas.
No Brasil, são as imprensas oficiais que garantem a transparência e a perenidade dos dados. Todos os balanços publicados no Diário Oficial de São Paulo nos últimos dez anos já podem ser consultados pela internet, e a Associação Brasileira das Imprensas Oficiais já começou a estender esse serviço para todos os estados do país.
Trata-se de um avanço de modernidade dentro de um valor democrático, uma vez que, disponíveis na internet, as informações ficam ainda mais acessíveis e transparentes. Essa segurança só existirá se a legislação que a regula não for modificada. Ao publicarem seus balanços, as empresas de capital aberto também dão uma contribuição que, com certeza, as enobrece, pois faz delas associadas das imprensas oficiais no cumprimento dos deveres administrativos e sociais acima enumerados. No seu aniversário, devemos reverenciar com orgulho a Imprensa Nacional, que tem construído, há quase dois séculos, essa valiosa obra para a nação brasileira.